26 ago Cartilha sobre Meliponicultura ganha nova edição
O projeto No Clima da Caatinga (NCC), realizado pela Associação Caatinga em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, acaba de lançar a nova edição da cartilha sobre Meliponicultura. O material técnico-educativo orienta sobre a criação racional de abelhas nativas sem ferrão, com foco especial na espécie Jandaíra (Melipona subnitida). O conteúdo abrange desde a anatomia e o processo de reprodução das abelhas até a escolha do local ideal para o meliponário, a construção e a instalação das colmeias, além da alimentação, do manejo, da colheita e da prevenção contra inimigos naturais.
A cartilha foi desenvolvida pela equipe técnica do projeto para apoiar a formação de agricultores e agricultoras do semiárido. O material está disponível gratuitamente em versão digital no site do No Clima da Caatinga. Além disso, uma versão impressa será entregue às famílias participantes durante as capacitações e acompanhamentos em campo realizados pela equipe.
O que é a meliponicultura?
Diferente da apicultura tradicional, a meliponicultura é a criação racional de abelhas nativas que possuem o ferrão atrofiado (conhecidas popularmente como “abelhas sem ferrão”). Na Caatinga, uma das protagonistas dessa prática é a abelha Jandaíra (Melipona subnitida), uma espécie endêmica do bioma cujo mel é historicamente reconhecido por seu alto valor nutritivo, comercial e por suas propriedades medicinais tradicionais no combate a inflamações e infecções respiratórias.
Devido ao desmatamento e ao corte seletivo de árvores de grande porte, os troncos e ocos de árvores onde essas abelhas faziam seus ninhos ficaram escassos. Essa perda de habitat colocou a Jandaíra sob ameaça de extinção e causou o seu desaparecimento em diversas áreas. Nesse cenário, a meliponicultura surge como uma tecnologia social fundamental. Ao substituir o extrativismo predatório pelo manejo sustentável em caixas apropriadas para a criação, a atividade protege a espécie, possibilita a multiplicação das colônias e garante que novos enxames retornem naturalmente às florestas. Além disso, por não apresentarem riscos de picadas agressivas, as abelhas podem ser criadas próximas às residências, o que possibilita o envolvimento seguro de toda a família.
Por que essa tecnologia é importante
A criação de abelhas sem ferrão desempenha um papel duplo e estratégico para o semiárido. Do ponto de vista ambiental, as abelhas Jandaíra são polinizadoras essenciais da flora nativa, o que garante a reprodução das plantas, a manutenção da biodiversidade e o processo de restauração florestal em áreas degradadas.
Do ponto de vista socioeconômico, a meliponicultura viabiliza uma importante fonte de renda complementar para as famílias rurais, já que o litro do mel de Jandaíra possui alto valor agregado no mercado. Além da melhoria da qualidade de vida e da segurança alimentar, a atividade promove a conscientização ambiental ao demonstrar o valor da floresta em pé e resgata conhecimentos culturais e tradicionais das comunidades.
Tecnologia que faz parte de uma estratégia maior
A disseminação da meliponicultura integra a linha de ação de tecnologias socioambientais do No Clima da Caatinga, parte do Modelo Integrado de Conservação da Caatinga, estratégia que envolve comunidades rurais da região em ações de conservação ambiental e busca aumentar a resiliência da população do Semiárido aos efeitos das mudanças climáticas. Além da meliponicultura, o projeto também dissemina outras tecnologias sociais, como canteiro bioséptico, fogão ecoeficiente, sistema bioágua, cisterna de placas e coletores de sementes.
As famílias apoiadas vivem em 40 comunidades rurais no entorno da Reserva Natural Serra das Almas, unidade de conservação de 6.285 hectares gerida pela Associação Caatinga entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI).
Dentro da Reserva, o projeto mantém um meliponário (espaço dedicado exclusivamente ao abrigo e manejo de coleções de colmeias de abelhas sem ferrão) com capacidade para centenas de enxames, voltado para preservação, pesquisa e formação comunitária.
Ao longo de sua trajetória, o NCC já capacitou 403 pessoas em meliponicultura, distribuiu 260 enxames e construiu 11 meliponários comunitários para apoiar os produtores de Jandaíra que mais demonstraram aptidão e interesse na atividade.
O que vem pela frente
A quinta fase do projeto No Clima da Caatinga prevê a implantação de cinco novos meliponários familiares estruturados com cavaletes cobertos e capacidade para 20 colmeias cada, destinados aos produtores com melhores resultados nas etapas anteriores. Além disso, a equipe do projeto prestará assistência técnica contínua e apoio para a comercialização do mel a todas as famílias beneficiadas com caixas e meliponários ao longo do projeto.



