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Tatu-bola e Tatu-peba: conhecer para preservar

O tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) está classificado como “Em Perigo de extinção” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A espécie, que só existe no Brasil, vive apenas em áreas específicas da Caatinga e do Cerrado. Após a publicação do registro de uma expedição científica ao Piauí, voltada para a conservação da espécie, o perfil do projeto No Clima da Caatinga, no instagram, recebeu vários comentários que chamavam o animal de “praga” ou diziam que há “de sobra” na região.

Boa parte dessas mensagens confunde o tatu-bola com o tatu-peba (Euphractus sexcinctus). O tatu-bola é o único que fecha o corpo inteiro em formato de bola e pode ser visto em poucas áreas, já o tatu-peba aparece em todos os biomas brasileiros e não consegue se fechar em formato de bola. O ICMBio classifica o tatu-peba como “Pouco Preocupante”, categoria de espécies sem risco de extinção no momento, porém, ser mais facilmente encontrado não significa que a caça dessa espécie está liberada. Matar, perseguir ou capturar animais silvestres sem autorização é crime, previsto na Lei nº 9.605/1998, com pena de seis meses a um ano de detenção e multa, além disso o contato ou consumo dos tatus podem transmitir doenças como hanseníase e doença de Chagas.

Mesmo quando o tatu-bola aparece em maior quantidade, não quer dizer que a espécie está segura. A veterinária Maíra Prestes, do Instituto Tamanduá, que acompanhou a Expedição Tatu-bola, explica que a avaliação considera toda a área de ocorrência. “O que a gente precisa levar em consideração, quando a gente fala que uma espécie está em extinção, é a distribuição total da espécie”, afirma. Segundo ela, poucos lugares ainda abrigam muitos tatus-bola e a população total já perdeu quase 50% dos indivíduos. Para a veterinária, os dois tatus merecem a devida proteção, já que “toda espécie tem sua função na natureza”, completa.

Expedição Tatu-bola

Entre 1º e 6 de setembro, uma equipe percorreu o Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, em Buriti dos Montes (PI), para coletar informações sobre o tatu-bola. A ação reuniu integrantes da Associação Caatinga, veterinárias do Instituto Tamanduá, um fotógrafo e um geógrafo especialista em geoprocessamento e pilotagem de drone. O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, do ICMBio, também colaborou. A expedição integra o projeto No Clima da Caatinga, realizado pela Associação Caatinga em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Em campo, a equipe localizou cinco tatus-bola. De cada animal, os pesquisadores coletaram amostras de sangue, fezes, ectoparasitas (organismos que vivem na superfície do corpo de um hospedeiro) e fragmentos de tecido. Após os exames e as medições, conforme o protocolo da equipe, cada tatu volta ao ponto onde foi encontrado. O material vai compor bancos genéticos para estudar o parentesco entre populações e o nível de endogamia, que é o cruzamento entre indivíduos aparentados. “Essas amostras vão permitir estudos de genética populacional, que fazem parte dos esforços de conservação da espécie conduzidos em parceria com o ICMBio”, diz a veterinária.

A expedição que aconteceu em setembro é a terceira de uma série iniciada em 2016. Os dados da primeira viagem embasaram a proposta de criação do Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, no Piauí. As três ações estão ligadas ao PAN TATA, o Plano de Ação Nacional para a conservação de tamanduá e tatus, gerido pelo ICMBio. Planos desse tipo são instrumentos do governo federal que orientam as ações de proteção de espécies ameaçadas.