Projeto No Clima da Caatinga fortalece reintrodução do periquito cara-suja na Serra das Almas

Iniciativa oferece suporte técnico, reflorestamento e manutenção de estruturas essenciais para a adaptação da espécie ameaçada à Caatinga

O Projeto No Clima da Caatinga (NCC), realizado pela Associação Caatinga em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, fortalece as ações voltadas à reintrodução do periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus) na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), unidade de conservação localizada entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI).

Em junho de 2024, um grupo de periquitos cara-suja foi transferido da Serra de Baturité, no centro-norte do Ceará, para a Serra das Almas, com o objetivo de contribuir para o repovoamento da área. A reintrodução da espécie na reserva integra o Projeto Refaunar Arvorar, uma iniciativa realizada a partir da parceria entre a Associação Caatinga, a Aquasis e o Parque Arvorar (Beach Park).

A ação tem apresentado resultados positivos: atualmente, 25 periquitos cara-suja vivem em liberdade na Serra das Almas. No entanto, nos primeiros anos após a reintrodução, a espécie necessita de suporte para garantir sua adaptação e sobrevivência no ambiente natural.

Nesse contexto, o No Clima da Caatinga, em sua quinta fase, passa a atuar diretamente no fortalecimento desse processo. O apoio do NCC está diretamente ligado à criação de condições ambientais favoráveis para que a espécie, classificada como ameaçada de extinção, consiga se adaptar ao retorno à Serra das Almas. Entre as principais ações desenvolvidas estão o plantio de mudas frutíferas nativas em áreas estratégicas da reserva e a manutenção de comedouros, utilizados como suporte alimentar durante o período de adaptação das aves.

Reflorestamento e alimentação suplementar

Ariane Ferreira, bióloga e analista de projetos socioambientais, que acompanha de perto o processo de reintrodução, reforça a ajuda do NCC na adaptação da espécie.

“Essas ações são essenciais para a sobrevivência do cara-suja na Serra das Almas, pois ao enriquecer com o plantio de mudas frutíferas nativas e disponibilizar alimentos nos comedouros, a espécie tende a gastar menos energia se deslocando atrás de comida. Isso é especialmente importante quando os recursos estão mais escassos, como na estação seca. Nesse período, os animais tendem a se deslocar muito mais atrás de alimento e correm o risco de serem predados”, explica.

Além do reforço alimentar e do reflorestamento, o NCC contribui para o monitoramento contínuo da espécie, apoiando a observação da formação dos grupos, do comportamento das aves e da sua permanência na área da soltura. Esse acompanhamento é importante para avaliar o sucesso da reintrodução e orientar ajustes nas ações de conservação.

A atuação do No Clima da Caatinga na reintrodução do cara-suja integra uma linha ampla de pesquisa científica e conservação de espécies ameaçadas, uma das frentes do projeto. Ao fortalecer o habitat e garantir suporte técnico, o NCC contribui para a proteção da biodiversidade da Caatinga e para a construção de estratégias de conservação de longo prazo.