#Eu Protejo o Tatu-Bola


Menor e menos conhecida espécie de tatu do Brasil

Vive na Caatinga e em algumas áreas do Cerrado

Peso
Vai de 1,0 a 1,8 kg
Comprimento
Cerca de 40 cm
Reprodução
Um ou dois filhotes por ninhada. As crias nascem completamente formadas.

Pequeno, tímido e raro. Essas são algumas características do Tatu-Bola-do-Nordeste (Tolypeutes tricinctus), espécie majoritariamente brasileira, presente na Caatinga e em pequenas áreas do Cerrado. O animal aparece na Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção na categoria “em perigo”. Por esse e outras razões o Tatu-Bola é a espécie bandeira do No Clima da Caatinga. É com ele que o projeto simboliza a luta pela conservação da natureza.

Como já foi dito, o Tatu-Bola-do-Nordeste é pequeno: o comprimento total do animal varia de 40 a 43 cm e essas medidas dão-lhe o título de menor tatu do Brasil. Seu peso chega aos modestos 1,8 kg. Toda essa miudeza reflete seu temperamento. Ele não gosta muito de confusão, basta os predadores darem seus primeiros sinais e o Tolypeutes tricinctus curva-se em formato de bola (daí surge seu nome popular). A espécie possui três cintas móveis na região média do dorso, peculiaridade que possibilita a estratégia de defesa. Apesar disso, alguns carnívoros (canídeos, felinos, humanos etc) conseguem perfurar sua carapaça.

O Tatu-Bola tem hábitos noturnos e alimenta-se de cupins, pequenos invertebrados e frutos. Enquanto dura o período de reprodução da espécie, uma mesma fêmea pode ser acompanhada por mais de um macho. A gestação dura, em média, 120 dias, com o nascimento de um filhote por ninhada (raramente dois).

Durante muito tempo, acreditou-se que o Tolypeutes trincictus usava tocas cavadas por outras espécies de tatu para abrigar-se. Porém um estudo publicado por cinco pesquisadores brasileiros mostrou que eles podem e cavam seus próprios abrigos. A análise científica, além de trazer nova luz aos estudos sobre a espécie, identificou também que esse hábito tem muito mais a ver com fatores paternais e de termorregulação corporal do que com mecanismos de defesa.

Atropelamentos, perda de habitat e caça ilegal são as principais ameaças ao Tatu-Bola. A espécie é bastante sensível às alterações do ambiente onde vive, ou seja, qualquer desequilíbrio natural afeta diretamente sua sobrevivência no planeta. No Brasil existem 11 espécies de tatus, sendo o Tolypeutes tricinctus a única exclusivamente brasileira. O status atual da espécie é tida como Vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais). Isso significa que o Tatu-Bola corre sérios riscos de entrar em processo de extinção.

O grau de ameaça do Tatu-bola, a grande carência de conhecimento sobre a espécie, a degradação dos ambientes naturais onde ela ocorre e as respectivas consequências ambientais, sociais e econômicas deste processo de degradação tornam pertinentes as iniciativas de conservação propostas neste projeto. O NCC possibilitará, por meio de suas diversas linhas de ação, a conservação de inúmeras outras espécies raras, endêmicas ou ameaçadas do Bioma Caatinga, além de contribuir para a mitigação de efeitos potencializadores do aquecimento global, combater a degradação e desertificação, promover a manutenção dos serviços ambientais por meio da proteção de nascentes, corpos hídricos, florestas e a criação de corredores ecológicos que reestabelecerão a conectividade entre os fragmentos de ecossistemas e possibilitarão o fluxo genético da fauna e flora garantindo sua variabilidade e consequentemente a perpetuação das espécies.

Tanto o tatu-bola como o ambiente onde ele ocorre ainda é pouco conhecido pela sociedade brasileira e global. O No Clima da Caatinga irá desenvolver ações de educação ambiental e comunicação que deverão aproximar a espécie e seu habitat da população, contribuindo para a mobilização da sociedade para as questões ambientais e para a necessidade de se promover a conservação da natureza. Também serão promovidas ações de capacitação em tecnologias sustentáveis e geração de renda junto às comunidades localizadas nas áreas de ocorrência do Tatu-bola e no entorno das Unidades de Conservação a serem criadas.